RETORNO DO CAPRICHOSO? | Em 2026, o boi azul conduz o ouvinte por um sonho que virou símbolo de identidade
Em busca do retorno à consagração da vitória, o Boi bumbá Caprichoso aposta no tema “Brinquedo que Canta seu Chão”. O boi azul se prepara para o 59º Festival Folclórico de Parintins
Texto por: Zuldimar Junior
Lançado em duas partes, o álbum conta com 20 faixas, entre toadas genéricas (de galera e boi-bumbá evolução) e estratégicas (temáticas, rituais, lendas amazônicas e figuras típicas regionais), que conduzem o ouvinte por um sonho familiar nascido da fé e da gratidão e que, ao longo do tempo, transformou-se em símbolo coletivo da identidade, da resistência e das aspirações dos povos amazônicos.
Ao escutar as toadas, é possível sentir uma nostalgia musical permeada por pitadas de inovação, característica marcante do boi azul e branco. A toada “Lá Vem o Boi” remete a um tempo em que o boi saía pelas ruas à luz de lamparinas, protegido por seus vaqueiros, enquanto “Ferrão de Fogo” revisita o tradicional ritual da tucandeira, cerimônia de iniciação juvenil do povo Sateré-Mawé. Já “Filhas de Mani” e “Povo do Norte” reafirmam a identidade nortista por meio de suas letras e das sonoridades empregadas nas composições. Para animar a galera, as faixas “É Hoje” e “Eu Escolhi o Caprichoso” cumprem com maestria o papel de contagiar o torcedor azul e branco.
Ao falar de sua identidade e de sua gente, o Caprichoso também presta homenagens aos seus. Em “Meu Território Caprichoso”, o atual pintor-muralista Evanil é convidado a colorir uma casa em preparação para o festival. Já em “Tuxauas – Herdeiros de Xibelão”, o homenageado é Zeca Xibelão, lendário tuxaua que revolucionou a apresentação do item na década de 1980 com seu bailado pioneiro e inconfundível. Soma-se a isso a homenagem em vida realizada em “Surdão do Bacuri”, dedicada ao marujeiro responsável por dar início às apresentações na arena.
E como falar do Caprichoso é falar de inovação, as toadas “Trilha do Curupira”, “Povo do Céu” e “Encandeia” atualizam narrativas sobre o protetor das matas, o ritual de iniciação espiritual do povo Xikrin e a cobra-grande que habita sob a ilha de Parintins.
Dito isso, o Boi Caprichoso é o “brinquedo que canta seu chão”, como afirma sua toada-tema. Por meio de suas canções, o boi azul reafirma que é tradição, ousadia, amor e paixão; uma manifestação que nasce das ruas para se tornar um estandarte de luta, pertencimento e resistência de seu(s) povo(s).









