CHEGOU XODÓ | Artista mineiro reimagina e eterniza as memórias do Carnaval em peças únicas
Percebendo a ausência de algo que preservasse as imagens que o Carnaval proporciona para além do tradicional, Douglas Lima decidiu criar um projeto que homenageasse a cultura popular.
Percebendo a ausência de algo que preservasse as imagens que o Carnaval proporciona para além do tradicional, Douglas Lima (31) decidiu criar um projeto que homenageasse a cultura popular. Por meio de sua arte, ele materializa todo esse sentimento e consegue moldar a memória com suas próprias mãos.
Douglas, arquiteto urbanista de formação, vive em Montes Claros, no norte de Minas, cidade onde nasceu e criou o Chegou Xodó, projeto artístico onde desenvolve peças de arte que são sensíveis homenagens a personalidades ou momentos icônicos do carnaval e da cultura brasileira. O trabalho tem como base a porcelana cria e uma mistura de outros materiais que auxiliem na composição da escultura como colagem e bordado livre.
“Tive um contato rápido com o material em 2023 e pensei que poderia levá-lo a um outro lugar, de inserir o personagem que criei no universo que sempre me alimentou, o carnaval e a cultura popular, o que fiz no fim de 2024.” – Diz Douglas para o Folclore BR.
Em tempos de Inteligência Artificial generativa banalizando o fazer artístico e aumentando um certo censo de desprezo pela importância do processo criativo, trabalhos como esse nos fazem tocar o chão novamente e pensar no próprio trabalho das centenas de artistas que fazem o carnaval ser uma festa tão inspiradora.
Nas artes são representadas cenas como o carnavalesco Joãozinho 30, vestido com uniforme laranja similar ao dos garis à frente de grande escultura em referência ao “Cristo Mendigo”, escultura coberta por plástico preto, no clássico desfile da Beija-Flor de 1989. Também podemos cenas mais específicas como um passista de patins do icônico desfile “Tupinicópolis”, enredo da Mocidade em 1987 criado por Fernando Pinto.



“De algum modo sempre produzi arte, sabe. Por quase toda a vida foi um refúgio. Talvez a maneira com a qual eu melhor me comunique com o mundo. Uma extensão do que sou, do que me inspira, do que acredito.”
O artista sempre teve uma relação afetiva com o carnaval. Desde a infância, Douglas guardou consigo diversas referências visuais que contribuíram para consolidar seu interesse pela arte e construir o seu repertório artístico, ele destaca as comissões de frente das escolas Unidos da Tijuca, Beija-Flor e, em especial, a Mangueira.
“Acredito que os desfiles foram peça chave na minha aproximação com a cultura. Eles sempre me ensinaram muito, me apresentaram artistas dentro e fora do carnaval, me contaram histórias que ajudaram a me formar enquanto ser humano. Indiretamente também me incentivaram a exercitar minha criatividade e assim a vida seguiu. Os estudos, especialmente na graduação, consolidaram alguns saberes, organizaram aspectos técnicos e me apresentaram conceitos que hoje contribuem pra minha prática por aqui também.”
A arte do artesanato, esculturas feitas com materiais simples, tricô, bijuterias e outros do gênero, sempre sofreram um grande preconceito e são muitas vezes vistas como “artes menores” até chegarem aos holofotes de um museu ou serem destaques de um grande jornal na TV. Por aqui, tentamos sempre lembrar de que esse olhar preconceituoso foi construído por séculos e que temos milhares de artistas dignos do devido destaque espalhados por todos os cantos do país.







Você pode conferir o ateliê digital do artista em seu site chegouxodo.com.br no perfil do projeto @chegouxodo.
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